O CETABA, Centro Tecnológico de Alimentos e Bebidas, de Céu Azul, formou em agosto sua primeira turma de moagem fora da América do Sul. O curso presencial foi em Angola, no Moinho Carrinho, em Benguela, onde 25 funcionários receberam o certificado no dia 28. Poucos dias depois, a escola repetiu a formação num segundo moinho, o Yokimbo, de milho, com mais 36 alunos. Todos já trabalhavam nos moinhos, e o curso serviu para qualificar quem já está na operação.
As duas turmas duraram uma semana e tiveram o mesmo professor, Erick Carraro, ex-aluno do CETABA e com dez anos de moagem de milho na Cooperativa Agrária, em Guarapuava. O Moinho Carrinho pertence ao Grupo Carrinho, o maior do setor de alimentos de Angola.
Segundo o presidente da entidade, Dermânio Tadeu Lima Ferreira, o CETABA já recebia alunos angolanos havia quatro anos em cursos on-line de moagem de trigo e de milho. O passo seguinte foi levar a sala de aula até lá.
Décadas atrás, o caminho era o contrário: quem queria aprender o ofício no Brasil precisava buscar formação na Europa, porque o país não tinha curso de moleiro. O primeiro surgiu no SENAI de Fortaleza no fim dos anos 1980, só na teoria. O curso que o CETABA leva hoje ao exterior nasceu no Oeste do Paraná, com apoio do sindicato da indústria do trigo do Estado e da ABITRIGO, passou pela FAG, em Cascavel, e está sob a coordenação da escola de Céu Azul desde 2020.
O CETABA agora negocia com moinhos angolanos a continuação dos cursos e quer fechar o calendário de novas turmas até o fim de 2026. Na mesma viagem, Ferreira se reuniu com a Grandes Moagens de Angola, uma das maiores do país, para tratar de uma parceria mais ampla. No Brasil, a escola mantém em Céu Azul um moinho-escola de milho, o primeiro do Hemisfério Sul, e coordena o Curso Nacional de Moagem de Trigo, hoje na 24ª edição, por onde já passaram mais de 600 moleiros. Para Ferreira, o que mais marcou foi “a grande participação e interesse dos alunos com perguntas”.


