Lar Cooperativa e o Novo Horizonte: Como o Acordo Mercosul-UE Impacta a Economia de Céu Azul e do Oeste

Agronegócio

Em declaração recente, presidente Irineo da Costa Rodrigues classifica o tratado histórico de janeiro de 2026 como uma “espera de décadas” que abre portas para a agroindústria local.

A assinatura do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, oficializada no último sábado (17) em Assunção, não é apenas um marco diplomático distante; é uma notícia que mexe diretamente com o chão de fábrica e o campo no Oeste do Paraná. Para a Lar Cooperativa Agroindustrial, gigante do setor com forte presença em Céu Azul, o tratado representa o fim de uma longa ansiedade e o início de um ciclo promissor de expansão.

A cooperativa, que hoje figura como a terceira maior empresa de abate de frangos do Brasil e exporta cerca de 45% de sua produção, vê na Europa um mercado de alto valor agregado com 451 milhões de consumidores.

Em recente entrevista à Rádio Cultura Foz o diretor-presidente da Lar, Irineo da Costa Rodrigues, não escondeu o entusiasmo com a consolidação do tratado.

“É um acordo que já esperávamos há décadas”, declarou Irineo à emissora, destacando que a parceria chega em um momento crucial para validar a qualidade e a tecnologia do agronegócio brasileiro frente aos competidores globais.

IMPACTO DIRETO EM CÉU AZUL

Para o município de Céu Azul, sede de uma importante Unidade Industrial de Soja (UIS) e de unidades de recepção de grãos da cooperativa, o acordo traz perspectivas reais de aquecimento econômico. O tratado prevê a redução de tarifas e a ampliação de cotas para produtos do complexo soja (farelo e óleo) e proteínas animais. Com a Europa facilitando a entrada desses itens, a tendência é de valorização da produção local e maior estabilidade na demanda para os produtores integrados da região.

Segundo análises do setor, o acordo estabelece, por exemplo, uma cota de 180 mil toneladas de carne de frango com isenção total de tarifas para o bloco europeu. Isso beneficia diretamente a cadeia produtiva da Lar, permitindo que o frango produzido e processado no Oeste do Paraná chegue às prateleiras de Paris ou Berlim com preços mais competitivos.

ALÉM DA EXPORTAÇÃO: TECNOLOGIA E SUSTENTABILIDADE

Ainda em sua fala à imprensa regional, Irineo da Costa Rodrigues ressaltou que os benefícios vão além da venda de produtos. A parceria deve “facilitar exportações e ampliar o acesso à tecnologia”, permitindo que a cooperativa continue modernizando suas plantas industriais e adequando-se às exigentes normas ambientais europeias.

Para a Lar, que já investe pesado em rastreabilidade e sustentabilidade — requisitos essenciais do “Green Deal” europeu —, o acordo funciona como um selo de qualidade internacional. Ao reduzir a dependência de mercados asiáticos e diversificar os destinos das exportações, a cooperativa blinda a economia regional contra oscilações externas, garantindo mais segurança para as milhares de famílias associadas em Céu Azul e região.

Com a assinatura feita, o foco agora se volta para a implementação. Se as décadas passadas foram de espera, como lembrou o presidente da Lar, os próximos anos prometem ser de trabalho intenso para transformar as novas regras em desenvolvimento efetivo para o nosso interior.

(Por João Paulo Zimermann)

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